Narciso Félix de Araújo

Biografia
Nasceu aos 29 de outubro do ano de 1933, em Brejo da Madre de Deus, cidade do agreste pernambucano. Filho legítimo de José João de Araújo e D. Rosa Bezerra de Araújo. Iniciou seus estudos numa escola particular do município. Já então desenhava bem e pintava com lápis cera e de cores. Esculpia em umburana com uma velha faca, pois não conhecia as ferramentas apropriadas.
Em 1946, quando tinha 13 anos, seus pais se mudaram para a vila de Xucurú, município de Belo Jardim, onde continuou desenvolvendo suas habilidades.
Quando completou 18 anos, em 1951, por iniciativa de amigos viajou para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Naquela cidade dividia o tempo com o trabalho e o estudo. Aprendeu a profissão de armador e, em 1954, foi contratado pela Companhia Construtora Nacional para trabalhar em Copacabana. Anos depois, em 1956, foi transferido para a armação do MUSEU DE ARTE MODERNA, que estava sendo construído no aterro do Flamengo.
Fez o curso de desenho artístico e natureza morta no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro com o professor Flávio Barreto. Na Sociedade Brasileira de Belas Artes, fez o curso de nu artístico, anatomia da arte e paisagismo, com o professor José Maria, português casado com uma pianista pernambucana.
Aos 27 anos de idade, em 1960, resolveu visitar os seus genitores que há muito não via. Nesta época eles moravam em Arcoverde – sertão do Estado. A pedido de sua mãe, decidiu não mais voltar para o Rio de Janeiro.
Em 1961, aos 28 anos, assume a direção da Agência Arco Verde de Transportes de Cargas, onde, depois de saneá-la e pô-la em ordem, é transferido para a filial de Caruaru, que estava numa desorganização. Em 1963 é transferido para a matriz no Recife.
Neste ano, de 1963, visita Igarassu e fica encantado com sua beleza e história. Neste mesmo ano ingressa no Movimento Escoteiro, tendo feito sua promessa no Grupo D. Vital nº 05, na Igreja da Penha e, logo depois, ingressou no Teatro Equipe do Recife e na Sociedade Lírica de Pernambuco, como cantor lírico.
Na União dos Escoteiros do Brasil (U.E.B.) – PE, ocupou vários cargos: Comissário Viajante, Comissário Distrital e Comissário para a Área Metropolitana. Em 15 de novembro de 1969 fundou o Grupo de Escoteiros Almirante Barroso nº 09 – PE, na cidade de Olinda. Na solenidade esteve presente o saudoso bispo D. Hélder Câmara. Em 1970, o referido Grupo foi convidado pelo então prefeito Dr. Clóvis Lacerda Leite para acampar em Igarassu, aproveitando para propagar o movimento nesta cidade.
Em 1971, por solicitação do Comissário Regional, na pessoa do Major Djalma, fez uma inspeção no Grupo em formação em Igarassu, onde encontrou tudo errado. Por solicitação do prefeito Dr. Clóvis Lacerda, assumiu a direção do mesmo e em 25 de setembro de 1971, ao meio dia, em frente à Casa de Câmara e Cadeia, com a presença das autoridades e pais dos primeiros escoteiros, foi fundado oficialmente o Grupo de Escoteiros Alfredo Bandeira de Melo nº 16-PE, que permanece até os nossos dias, e que hoje, em justa homenagem, leva o seu nome.
Em 1985, na Escola Santos Cosme e Damião assumiu o Programa de Desenvolvimento Integrado Arte na Educação – PRODIARTE de onde surgiu um belo artesanato de coco, cujo trabalho foi destaque em exposições realizadas no Recife, Belo Horizonte e Brasília.
Fez o curso de astronomia no clube Estudantil de Astronomia no Colégio São João da Várzea, onde permaneceu até o falecimento de seu fundador Pe. Jorge Pollmann em 1986.
Nesse mesmo ano de 1986, fundou com um grupo de jovens o coral masculino “COROLARIUM”, que durante algum tempo abrilhantou as festividades religiosas e culturais de nossa terra.
Graças ao trabalho do Chefe Narciso, muito dos nossos jovens tiveram um porto seguro, num momento em que o mundo passava por modificações que questionavam os valores familiares, religiosos e patrióticos. Com ele aprendemos a valorizar a honra, a honestidade, a família e a pátria. Não perdemos o nosso rumo, ao contrário, consolidamos nossas vocações.
Em Igarassu, desde 1983, foi responsável pela decoração de todos os carnavais da cidade, função que só deixou de exercer em 1997, quando assumiu a direção do Museu Histórico. Como folião nato que era, inspirava-se nos velhos carnavais e na história da cidade e de seus personagens para realizar os seus trabalhos de decoração de rua, o que garantia um brilhantismo impar ao tríduo momesco de nossa terra.
Aqui, foi professor de desenho, teatro, música, talha, restaurador e um grande incentivador da preservação da cultura e memória de nossa gente.
Por tudo isso, em 24 de setembro de 1989, em sessão solene na Câmara de Vereadores, recebeu o título de CIDADÃO IGARASSUENSE.
À frente do Museu Histórico de Igarassu desde janeiro de 1997, iniciou, a sua própria custa, a recuperação e restauração de diversas peças que fazem parte do acervo da instituição, trabalho que mesmo aposentado desde 2001, continuou a fazer.
Em 22 de setembro de 2001, realizou um dos seus mais antigos sonhos, foi iniciado como Maçom na Augusta e Respeitável Loja Simbólica Venerável Stélio Marinho Falcão, do Oriente de Igarassu.
Anos mais tarde, no dia 24 de maio de 2003, por ocasião das solenidades dos 50 anos do Instituto Histórico de Igarassu recebeu o diploma de Sócio Benemérito, daquela instituição cultural. Em seguida, no dia 16 de agosto do mesmo ano, numa reunião especial do Rotarac Clube de Igarassu, recebeu o Diploma de Honra ao Mérito e o Título de Cidadão Destaque em reconhecimento das iniciativas e trabalhos realizados em favor do desenvolvimento social e cultural desta cidade.
Faleceu no Recife aos 28 de outubro de 2003, sendo sepultado no Cemitério Público de Igarassu, no dia 29, quando completaria 70 anos de idade.